02 fevereiro, 2015

Conto - Ainda há uma chance | Parte 2/2 (Final)


Ainda há uma chance -  Final
Caíque Fortunato e Euler Duarte

Se você chegou nesse post e não leu a primeira parte do conto clique aqui

(...) 
Eu dei as costas ao que me importava, a única pessoa que realmente me amou foi ela, mas eu virei o rosto e neguei a mim mesmo que poderia ser feliz. De repente algo caiu de um livro que estava em minhas mãos, era um papel dobrado, já amarelado pelo tempo, parecia estar ali a anos. Abaixei-me para pega-lo e para minha surpresa era um bilhete. Congelei-me ao lê-lo:
“Estou apaixonada, esse meu sentimento é tão forte que é difícil de se expressar. Você tornou a razão do meu viver. Agora estou de mudança, não sabia como te dizer isso, talvez nunca mais te verei, me de pelo menos uma chance para demonstrar meu amor por você! Isso porque te amo. Não sou muito boa em versos, mas essa poesia é a que mais gosto, por isso dedico a você:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

Luís de Camões

Sophia Medeiros. Te amo!"
Agora, depois de tantos anos, me culpo por não ter tido coragem e tomado uma atitude naquela sexta-feira sombria, como fui idiota a este ponto? Era tão simples, um apenas “ eu te amo” mudaria tudo, talvez fosse tudo diferente, talvez assim eu realmente teria sido feliz.

Ela era tão linda, tão meiga, tão perfeita, nunca havia me apaixonado tão intensamente por alguém assim. Sua pele era clara como a neve, tão lisa que parecia a mais fina porcelana, eu vivia por ela, agora praticamente não vivo. Sophia era realmente especial para mim, agora vejo que anos depois do ocorrido, eu também era muito importante para ela, pena ser tarde demais.

Agora onde ela está? Será que já me esquecera? Será que o que sentia por mim era só um amor juvenil?

Há muito tempo eu não tinha nenhuma notícia dela. Então no dia seguinte fui a casa do meu melhor amigo, precisava conversar com a noiva dele, que era grande amiga de Sophia na época de escola, eu precisava saber se ela tinha alguma informação, algo que me ajudasse a encontrá-la.

Ela disse-me que Sophia a muito tempo estava brava comigo, por eu não ter mandado nenhuma notícia minha, mas que mesmo assim ela me daria o endereço, pois acreditava que Sophia ficaria muito feliz com minha visita. Rapidamente ela anotou o endereço e entrei no carro rumo ao meu destino. Fiquei surpreso quando vi que não era tão longe assim, ficava a umas duas horas de viagem, era uma cidadezinha bem pacata onde ela morava, então corri como um louco para encontrá-la.

Quando cheguei conferi o endereço, e estava correto, era naquela casa de número 32 da Rua das Flores onde meu amor vivia. A casa era bem bonita, bem típica de classe média, simples, mas não deixava de ser elegante, tinha um jardim de flores na frente, muito lindo e aquilo embelezava ainda mais minha visão.

Fiquei do carro observando o movimento do lugar, vendo se alguém sairia ou entraria na casa, até que a porta da casa se abrira, dela vi sair uma linda mulher, pele clara, cabelo preto e liso, ela foi a caixa de correio pegar umas cartas, foi nesse exato momento que eu vi o seu lindo rosto, era ela, era a mulher dos meus sonhos que estava ali, e eu só tinha que cruzar a rua. Mas o que eu estava esperando? Não sei o que aconteceu comigo, mas nem passou por minha cabeça chamá-la ou sair do carro, fiquei apenas a admirando.

Confesso que nunca me senti tão bem em toda minha vida, só de apenas vê-la, tudo pra mim voltou a fazer sentido, ela estava tão perto de mim, era como ver meu maior sonho se realizando.

Percebi que era ela quem me completava, que tapava o vazio que há tanto tempo sentia inconscientemente, e que trazia luz a minha escuridão.

Não pensei duas vezes, desesperado abri a porta do carro e saí, ela já estava de costas, voltando para dentro de casa, juntei todo o ar que consegui para gritar o seu nome, mas minhas forças acabaram quando vi duas crianças saindo da casa correndo indo lhe abraçar calorosamente, estava óbvio que eram seus filhos. Ela já tinha me esquecido, meu mundo naquele momento desabou. Não queria de maneira alguma que meu amor acabasse ali, até que o golpe final me atingiu em cheio.

Vi um homem alto saindo da casa, sorridente, e meu amor se jogando nos braços dele, era o marido dela, ela o beijara ali na minha frente, e nem fazia ideia que eu existia mais. O ódio me dominou, não queria ver mais nada daquilo, minha amada nos braços de outro, de um qualquer. Minha ira ainda me queimava por dentro. Mas a única coisa que fiz foi deixar outro bilhete para ela, dentro do mesmo livro que havia me dado, deixando a frente de sua porta.
“O pior erro da minha vida foi não dizer a você o que realmente eu sentia, agora vejo as conseqüências desse amor não correspondido. Te amo mais que tudo, tinha esperanças de terminar minha vida com você, mas essa esperança morreu no momento que te vi com seu marido. Acho que ninguém te amaria como eu, mas estou feliz por você. Que Deus abençoe você e seus filhos. E quanto a mim, não me resta esperanças, a razão da minha vida não está comigo, não sei o que faço agora. Restam minhas lágrimas que caem na escuridão, não posso mais ser ouvido, o silêncio dominou minhas palavras. Só quero te dizer adeus, não sei até quando irei aguentar. Só queria te dizer mais uma vez que te amo”
Pela janela dei um último adeus silencioso ao meu amor e parti.

Agora aqui estou eu, em minha cobertura, terminando de escrever esta pequena história de um homem triste. O céu está totalmente limpo, parece até um presente divino, consigo até ver as estrelas, abaixo vejo carros passando. Nada mais me importa, não tenho mais nada nesta existência. O que quero mesmo é um fim a isto tudo, dar um fim ao meu sofrimento, acabar com esta agonia.

Espero a voz de Deus me dizer para não pular, que eu ainda tenho algo a amar, mas só ouço o frio vento bater em minha face, vejo que nem ele se importa com meu sofrimento, tanto faz. Talvez um dia em outra vida eu me encontre novamente com ela, e possa realmente ser feliz ao seu lado. Que assim seja e que assim será.

Fim ... 
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